Produção de cacau no PA ganha reforço tecnológico em meio a baixa do preço de amêndoas

  • 20/03/2026
(Foto: Reprodução)
Produtores discutem aumento da produção de cacau em Altamira Em Altamira, no sudoeste do Pará, produtores de cacau da região da Transamazônica e do Xingu debatem alternativas para manter a produção em um momento de forte queda nos preços das amêndoas. Segundo representantes do setor, o custo médio para produzir 1 quilo de amêndoas secas chega a cerca de R$ 18 a R$ 20, enquanto o preço de venda hoje gira em torno de R$ 12 por quilo. O valor ficou bem abaixo de anos anteriores, quando o produto chegou a ser negociado a quase R$ 70/kg em épocas de maior demanda. A região da Transamazônica responde por cerca de 85% da produção paraense de cacau e representa aproximadamente 38% da produção nacional, o que coloca o Pará como principal celeiro do fruto no país. Com a chegada do pico da colheita previsto para maio, muitos produtores já planejam ingressar na safra com preocupação sobre a lucratividade e a possibilidade de cobrir custos de produção. Cacau produzido no Pará. Reprodução / Agência Pará Inovação e verticalização Em meio ao cenário de instabilidade de preços, o 2º Cacau Tech, evento realizado na sede dos produtores rurais de Altamira, reúne agricultores de sete municípios para discutir tecnologias, gestão de lavouras e estratégias para reduzir prejuízos. Entre os temas em pauta estão a adoção de práticas produtivas mais eficientes, controle de pragas e doenças, além de iniciativas para qualificar a amêndoa e melhorar a rentabilidade. Alguns produtores já buscam caminhos pela verticalização, como a produção de chocolate artesanal. No município de Brasil Novo, por exemplo, a produtora Verônica Preuss investe na fabricação de chocolate há cinco anos como forma de agregar valor ao fruto e obter preço melhor nas amêndoas. Em Vitória do Xingu, Tatiana, filha de agricultores, aproveita o evento para buscar conhecimento e estruturar a produção de chocolate artesanal na propriedade da família.​ LEIA TAMBÉM: Preço do cacau cai no campo, mas chocolate seguirá caro na Páscoa; entenda Rastreabilidade Sistema Cacaupará Reprodução / Agência Pará Enquanto produtores debatem soluções em Altamira, o governo do Pará anuncia o lançamento do Cacaupará, primeiro sistema estadual integrado de rastreabilidade do cacau no Brasil. Desenvolvido com recursos do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau), o sistema acompanha a cadeia desde o cadastro da propriedade rural até a entrega do produto à indústria, e já está disponível para acesso na página da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). Segundo o governo, a plataforma registra digitalmente cada etapa da produção, com cadastro georreferenciado de propriedades, validação ambiental automática via Cadastro Ambiental Rural (CAR), controle de colheita e destinação das amêndoas, além da geração de QR Code por lote. O secretário da Sedap Giovanni Queiroz disse que a ferramenta permite ter um “raio‑X” da cacauicultura paraense, com dados sobre área cultivada, produtividade e acesso a mercados mais exigentes. O sistema foi pensado para atender exigências internacionais, como a nova regulamentação europeia EUDR (European Union Deforestation Regulation), que exige comprovação de que produtos como cacau, soja, café e madeira não sejam provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. A medida para o governo é uma forma de reforçar a credibilidade do “cacau amazônico” em mercados que valorizam origem limpa, rastreável e sustentável, abrindo espaço para melhores preços e certificações. O governo estadual estima que o estado tenha cerca de 34 mil produtores de cacau, sendo a maioria concentrada na Transamazônica. A meta é cadastrar 100% desse universo no Cacaupará, por meio de parcerias com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Pará (Faepa) e estruturas de assistência técnica e gerencial. Benefícios Para cooperativas como a Cooperativa de Produção Orgânica na Transamazônica e Xingu (Cepotx), de Altamira, a nova plataforma reduz custos e facilita a organização das informações. O presidente Jader Santos afirma que, antes, acesso a sistemas de rastreabilidade de qualidade era limitado pela alta cobrança de empresas privadas, algo que agora fica mais acessível com o apoio do Estado. Representantes de organizações como a Fundação Solidaridad também veem no Cacaupará um passo importante para construir uma base de dados mais sólida sobre a produção cacaueira no Pará, com maior transparência nas relações comerciais e mais segurança para produtores que buscam mercados justos e sustentáveis. Produção e futuro O Pará é hoje o maior produtor de cacau do Brasil e figura entre os principais polos do mundo em termos de produtividade, com destaque para o cultivo em sistemas agroflorestais na Amazônia. A soma de iniciativas como o Cacau Tech e o sistema Cacaupará busca fortalecer a cadeia em um momento de volatilidade de preços, apoiando a adoção de tecnologia, gestão mais eficiente e maior acesso a mercados internacionais. O acesso ao sistema Cacaupará pode ser feito por meio do site da Sedap (www.sedap.pa.gov.br), onde cooperativas, produtores e indústrias interessadas podem se cadastrar e acompanhar informações em tempo real sobre a produção cacaueira no estado. 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FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/03/20/producao-de-cacau-no-para-ganha-reforco-tecnologico-com-sistema-cacaupara-em-meio-a-preocupacao-com-baixa-do-preco-de-amendoas.ghtml


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